quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A ideia revolucionária

Em 1962, enquanto o comunismo fazia força, a Força Aérea dos EUA pede a um pequeno grupo de investigadores que crie uma rede de comunicação militar capaz de resistir a um ataque nuclear. O conceito desta rede assentava num sistema descentralizado, permitindo à rede funcionar apesar da destruição de uma ou várias máquinas.

O modelo Baran

Paul Baran é considerado como um dos actores principais da criação da Internet. Ele teve a ideia, em 1964, de criar uma rede com a forma de uma grande tela. Tinha percebido que um sistema centralizado era vulnerável porque a destruição do seu núcleo provocava a destruição das comunicações. Criou então uma rede híbrida de arquitecturas em estrela ecom malhas, na qual os dados se deslocariam de forma dinâmica, “procurando” o caminho menos sobrecarregado, e “esperando” se todas as estradas estivessem sobrecarregadas. Esta tecnologia foi chamada “packet switching”.

O ARPANET

Em Agosto de 1969, independentemente de qualquer objectivo militar, a rede experimental ARPANET foi criada pelo ARPA (Advanced Research Projects Agency , dependente do DOD, Department of Defense) para ligar quatro instituições universitárias:
  • O Stanford Institute ;
  • A universidade da Califórnia em Los Angeles ;
  • A universidade da Califórnia em Santa Bárbara ;
  • A universidade de Utah.



A rede ARPANET é hoje considerada como a rede precursora da Internet. Comportava já naquela época certas características fundamentais da rede actual :
  • Um ou vários nós da rede podiam ser destruídos sem estar a perturbar o seu funcionamento;
  • A comunicação entre máquinas fazia-se sem máquina centralizada intermédia;
  • Os protocolos utilizados eram básicos.

O correio electrónico

Em 1971, Ray Tomlinson criou um novo modo de comunicação: o correio electrónico. O conteúdo deste primeiro e-mail era o seguinte:
QWERTYUIOP


Além disso, o carácter “@” servia já para separar o nome do utilizador do nome da máquina nos endereços.
Em Julho de 1972, Lawrence G. Roberts melhorou as possibilidades abertas por Ray Tomlinson, desenvolvendo a primeira aplicação que permite listar, ler de maneira selectiva, arquivar, responder ou reencaminhar um e-mail. Desde então, o serviço de mensagens electrónicas não parou de de crescer, até se tornar na principal utilização da rede das redes no início do século XXI.
É igualmente em 1972 (Outubro) que a rede ARPANET foi apresentada pela a primeira vez ao grande público, aquando da conferência ICCC (International Computer Communication Conference).Na mesma época, o ARPA tornou-se o DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency) e o termo “internetting” passa a ser utilizado para designar o ARPANET, então um embrião da Internet.

O protocolo TCP

O protocolo NCP, utilizado até então, não permitia gerir controlo de erro e em era, por esse motivo, utilizável unicamente na rede ARPANET, na medida em que a infra-estrutura era dominada correctamente.
Assim Bob Kahn, chegado ao ARPA desde 1972, começou a trabalhar sobre as bases de um novo protocolo, já baptizado TCP, permitindo encaminhar dados numa rede fragmentando-os em pequenos pacotes. Na Primavera 1973, pediu a Vinton Cerf (então à Stanford) que o ajudasse a construir o protocolo.
Em 1976, o DoD decidiu estender o protocolo TCP à rede ARPANET, composta de 111 máquinas ligadas entre elas. Em 1978, o protocolo TCP foi cindido em dois protocolos: TCP e IP, para constituir que o que ia tornar-se na suite TCP/IP.

O DNS

O sistema DNS, utilizado hoje em dia, foi criado em 1984, a fim de paliar a falta de flexibilidade , pedindo a actualização manual das correspondências entre os nomes de máquinas e o seu endereço em ficheiros textos em cada uma das máquinas.

Os RFC

Em 1969, S. Crocker (então na universidade da Califórnia) criou o sistema “Request for Comments” (RFC). Trata-se de documentos apresentados sob a forma de nota, permitindo aos investigadores trocarem os seus trabalhos.
Jon Postel (6 de Agosto de 1943 - 16 de Outubro de 1998) foi encarregue da administração destes documentos até à sua morte.

O World Wide Web

A partir de 1980, Tim Berners-Lee, um investigador do CERN de Genebra, criou um sistema de navegação hipertexto e desenvolveu, com a ajuda de Robert Cailliau, um software baptizado Enquire que permite navegar de acordo com este princípio.
Em finais de 1990, Tim Berners-Lee criou o protocolo HTTP (Hyper Text Tranfer Protocol), bem como a linguagem HTML (HyperText Markup Language) que permite navegar com a ajuda de ligações hipertextuais, através das redes. O World Wide Web tinha nascido.

A Rede no Brasil atualmente

O comércio eletrônico  no Brasil movimentou 114 bilhões de dólares em 2008, um aumento de 82% sobre o volume de 2005, de acordo com pesquisa da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

O número de internautas residenciais no Brasil chegou a 18 milhões em junho, de acordo com o Ibope/NetRatings, um crescimento de 34% em relacão a junho de 2006. (O número representa usuários que acessaram a Internet de casa durante o mês de junho. O total de internautas no Brasil, ainda segundo a Ibope/NetRatings, é de 33 milhões de internautas.) Para os internautas residenciais, a média de tempo online durante o mês de junho foi de 22 horas e 26 minutos, maior que em outros países como França (19 horas e 34 minutos), Estados Unidos (19 horas e 05 minutos) e Austrália e Japão (ambos com 17 horas e 55 minutos)

A Internet no Brasil e a RNP

No Brasil, os primeiros embriões de rede surgiram em 1988 e ligavam universidades do Brasil a instituições nos Estados Unidos. No mesmo ano, o Ibase começou a testar o AlterNex, o primeiro serviço brasileiro de Internet não-acadêmica e não-governamental. Inicialmente o AlterNex era restrito aos membros do Ibase e associados e só em 1992 foi aberto ao público.

Em 1989, o Ministério da Ciência e Tecnologia lança um projeto pioneiro, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Existente ainda hoje, a RNP é uma organização de interesse público cuja principal missão é operar uma rede acadêmica de alcance nacional. Quando foi lançada, a organização tinha o objetivo de capacitar recursos humanos de alta tecnologia e difundir a tecnologia Internet através da implantação do primeiro backbone nacional.

O backbone funciona como uma espinha dorsal, é a infra-estrutura que conecta todos os pontos de uma rede. O primeiro backbone brasileiro foi inaugurado em 1991, destinado exclusivamente à comunidade acadêmica. Mais tarde, em 1995, o governo resolveu abrir o backbone e fornecer conectividade a provedores de acesso comerciais. A partir dessa decisão, surgiu uma discussão sobre o papel da RNP como uma rede estritamente acadêmica com acesso livre para acadêmicos e taxada para todos os outros consumidores. Com o crescimento da Internet comercial, a RNP voltou novamente a atenção para a comunidade científica.

A partir de 1997, iniciou-se uma nova fase na Internet brasileira. O aumento de acessos a rede e a necessidade de uma infra-estrutura mais veloz e segura levou a investimentos em novas tecnologias. Entretanto, devido a carência de uma infra-estrutura de fibra óptica que cobrisse todo o território nacional, primeiramente, optou-se pela criação de redes locais de alta velocidade, aproveitando a estrutura de algumas regiões metropolitanas. Como parte desses investimentos, em 2000, foi implantado o backbone RNP2 com o objetivo de interligar todo o país em uma rede de alta tecnologia. Atualmente, o RNP2 conecta os 27 estados brasileiros e interliga mais de 300 instituições de ensino superior e de pesquisa no país, como o INMETRO e suas sedes regionais.

Outro avanço alcançado pela RNP ocorreu em 2002. Nesse ano, o então presidente da república transformou a RNP em uma organização social. Com isso ela passa a ter maior autonomia administrativa para executar as tarefas e o poder público ganha meios de controle mais eficazes para avaliar e cobrar os resultados. Como objetivos dessa transformação estão o fornecimento de serviços de infra-estrutura de redes IP avançadas, a implantação e a avaliação de novas tecnologias de rede, a disseminação dessas tecnologias e a capacitação de recursos humanos na área de segurança de redes, gerência e roteamento.

A partir de 2005, a comunicação entre os Pontos de Presença (PoPs) da rede começou a ser ampliada com o uso de tecnologia óptica, o que elevou a capacidade de operação a 11 Gbps.

A base instalada de computadores no Brasil atinge 40 milhões, de acordo com pesquisa da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. O número, que inclui computadores em empresas e residencias, representa um crescimento de 25% sobre a base registrada no mesmo período do ano passado.

O Aparecimento da Internet em Portugal

A Universidade de Lisboa em Portugal foi a primeira. Pouco depois, a Universidade do Minho também o fez, usando uma linha de 64Kb (da Telepac, IP sobre X.25) para a França.FCCN, m Lisboa.

Em 1973 o acesso à Internet é aberto aos alunos da Universidade do Minho.

Uma fotografia de um anúncio da PUUG afirmando-se "Porta para a Internet desde 1990" pode ser vista aqui.

Em 1992 a FCCN inicia registos de domínios em .pt, e em Dezembro de 1993 existem 40 domínios .pt registados. O primeiro servidor web nacional foi activado pelo LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) em 1992.

Em 1996 existem 10 entidades [1] com licença para prestação de Serviços de Telecomunicações Complementares Fixos, no âmbito dos quais se pode enquadrar o acesso à Internet.

História da Internet

A Internet surgiu a partir de pesquisas militares nos períodos áureos da Guerra Fria. Na década de 1960, quando dois blocos ideológica e politicamente antagônicos exerciam enorme controle e influência no mundo, qualquer mecanismo, qualquer inovação, qualquer ferramenta nova poderia contribuir nessa disputa liderada pela União Soviética e por Estados Unidos: as duas superpotências compreendiam a eficácia e necessidade absoluta dos meios de comunicação. Nessa perspectiva, o governo dos Estados Unidos  temia um ataque russo às bases militares. Um ataque poderia trazer a público informações sigilosas, tornando os EUA vulneráveis. Então foi idealizado um modelo de troca e compartilhamento de informações que permitisse a descentralização das mesmas. Assim, se o Pentágono fosse atingido, as informações armazenadas ali não estariam perdidas. Era preciso, portanto, criar uma rede, a ARPANET, criada pela ARPA, sigla para Advanced Research Projects Agency. Em 1962, J.C.R LickLider do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) já falava em termos da existência de uma Rede Galáxica.

A ARPANET funcionava através de um sistema conhecido como chaveamento de pacotes, que é um sistema de transmissão de dados em rede de computadores no qual as informações são divididas em pequenos pacotes, que por sua vez contém trecho dos dados, o endereço do destinatário e informações que permitiam a remontagem da mensagem original. O ataque inimigo nunca aconteceu, mas o que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não sabia era que dava início ao maior fenômeno midiático do século 20', único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas.

Em 29 de Outubro de 1969 ocorreu a transmissão do que pode ser considerado o primeiro E-mail da história.[1] O texto desse primeiro e-mail seria "LOGIN", conforme desejava o Professor Leonard Kleinrock da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), mas o computador no Stanford Research Institute, que recebia a mensagem, parou de funcionar após receber a letra "O".

Já na década de 1970, a tensão entre URSS e EUA diminui. As duas potências entram definitivamente naquilo em que a história se encarregou de chamar de Coexistência Pacífica. Não havendo mais a iminência de um ataque imediato, o governo dos EUA permitiu que pesquisadores que desenvolvessem, nas suas respectivas universidades, estudos na área de defesa pudessem também entrar na ARPANET. Com isso, a ARPANET começou a ter dificuldades em administrar todo este sistema, devido ao grande e crescente número de localidades universitárias contidas nela.

Dividiu-se então este sistema em dois grupos, a MILNET, que possuía as localidades militares e a nova ARPANET, que possuía as localidades não militares. O desenvolvimento da rede, nesse ambiente mais livre, pôde então acontecer. Não só os pesquisadores como também os alunos e os amigos dos alunos, tiveram acesso aos estudos já empreendidos e somaram esforços para aperfeiçoá-los. Houve uma época nos Estados Unidos em que sequer se cogitava a possibilidade de comprar computadores prontos, já que a diversão estava em montá-los.

A mesma lógica se deu com a Internet. Jovens da contracultura, ideologicamente engajados ou não em uma utopia de difusão da informação, contribuíram decisivamente para a formação da Internet como hoje é conhecida. A tal ponto que o sociólogo espanhol e estudioso da rede, Manuel Castells, afirmou no livro A Galáxia da Internet (2003) que A Internet é, acima de tudo, uma criação cultural.

Um sistema técnico denominado Protocolo de Internet (Internet Protocol) permitia que o tráfego de informações fosse encaminhado de uma rede para outra. Todas as redes conectadas pelo endereço IP na Internet comunicam-se para que todas possam trocar mensagens. Através da National Science Foundation, o governo norte-americano investiu na criação de backbones (que significa espinha dorsal, em português), que são poderosos computadores conectados por linhas que tem a capacidade de dar vazão a grandes fluxos de dados, como canais de fibra óptica, elos de satélite e elos de transmissão por rádio. Além desses backbones, existem os criados por empresas particulares. A elas são conectadas redes menores, de forma mais ou menos anárquica. É basicamente isto que consiste a Internet, que não tem um dono específico.

Cientista Tim Berners-Lee, do CERN, criou a World Wide Web em 1990.

A empresa norte-americana Netscape criou o protocolo HTTPS, possibilitando o envio de dados criptografados para transações comercias pela internet.

Por fim, vale destacar que já em 1992, o então senador Al Gore, já falava na Superhighway of Information. Essa "super-estrada da informação" tinha como unidade básica de funcionamento a troca, compartilhamento e fluxo contínuo de informações pelos quatro cantos do mundo através de um rede mundial, a Internet. O que se pode notar é que o interesse mundial aliado ao interesse comercial, que evidentemente observava o potencial financeiro e rentável daquela "novidade", proporcionou o boom (explosão) e a popularização da Internet na década de 1990. Até 2003, cerca de mais de 600 milhões de pessoas estavam conectadas à rede. Segundo a Internet World Estatistics, em junho de 2007 este número se aproxima de 1 bilhão e 234 milhões de usuários.